Vários meses após as primeiras manchas de óleo começaram a atingir as praias do Brasil, de certo têm-se apenas incertezas. Acumulam-se questões sem resposta, não se sabe, e provavelmente nunca se saiba, a quem pertenceu ou a real origem do poluente, sequer tem-se noção da quantidade derramada ou mesmo da extensão dos impactos do crime ambiental.
“Noves Fora” reflete sobre a tragédia causada em essência não pelo óleo em si, mas, sobretudo pelo descaso e omissão, no antes, no durante e no depois. Chora-se pelo o óleo derramado, não pelas causas e consequências do rastro deixado.
Como memória das desigualdades, das agressões, do abandono, da omissão e do descaso, o trabalho traça um mapa conceitual a partir de reflexões visuais em que cada um dos nove estados nordestinos é representado por uma fotografia das manchas de óleo nas praias, conectadas por cores e formas.
Surgidas ao acaso, ou nem tanto, as cores sobrepostas em cada uma das imagens, foram construídas a partir dos dados temporais e de localização dos aparecimentos das manchas nas praias brasileiras. Na paleta RGB de tons “petróleo”, o valor do “R” surgiu do somatório das dezenas contidas na data do primeiro registro de óleo em cada um dos estados, assim como, os valores de “G” e de “B” surgiram do somatório dos números contidos nas coordenadas geográficas de latitude e longitude, respectivamente, dos locais atingidos.
Uma equação para que não se esqueça. Noves fora.
NOVES FORA
NOVES FORA
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