Repetindo-se de tempos em tempos, a raça humana se depara com chamados à sua condição indistinta de quaisquer outros seres, integrantes do mesmo organismo complexo, vivo e pulsante: A Terra.
Ações baseadas na crença de domínio sobre a natureza conduzem os humanos, não à destruição do planeta, este está sendo transformado e há de seguir, mas, à destruição das condições de sobrevivência da própria espécie. “Não existiu uma criação do mundo e acabou! Todo instante, todo momento, o tempo todo é a criação do mundo” (Ailton Krenak).
A única espécie de primata bípede do gênero Homo ainda viva, provavelmente também a última, os Homos ditos Sapiens tem sua trajetória marcada por miscigenações, mesmo que negadas, e migrações constantes que os levaram aos mais diversos cantos do planeta. Ancorada na ideia dominante de “humanidade”, a sobrevivência da raça humana, mais frágil para uns do que para outros, se baseia em intrincadas condições de dependência do ambiente natural, que absurdamente, tem consumido de forma desmedida os recursos disponíveis. Vive-se por conta daquilo que se destrói, até não mais haver.
Desdobrados em causas e consequências de alcance global, os atos humanos demonstram incrível potencial de destruição em medida inversamente proporcional à capacidade regenerativa dos ecossistemas. Por paradoxo, quando tomados pela consciência da sua efetiva condição, a ausência dos humanos torna-se a principal ação “humana” para que a natureza possa se reestabelecer.
E assim, a humanidade, nos moldes e características que predominam, caminha para o momento em que uma das forças subjugue as demais, cravando o destino da espécie, não sendo difícil imaginar o desfecho. Contaminante do seu não lugar, as manchas do petróleo cru derramado nas praias do nordeste do Brasil, absorvidas em diversos suportes na ação do artista na técnica literal “óleo sobre papel”, ressignificam a tragédia. A arte transforma o poluente, que assim o é a depender de onde esteja, em “voz de protesto” que inunda o olhar e mostra uma estética cruel em  essência.
Em camada de significado adicional, a destruição potencializada pelo não fazer dos que podiam, forjou um rastro de destruição interconectado no sentido da dúvida para a incerteza, marcando, assim, a jornada do Merey-16 através dos 116 pontos de inflexão na costa nordestina. Sucedem-se eventos, afloram questões: lama, lixo, queimada, óleo derramado. Até quando? O que realmente importa?
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